Nosso Segredo pela Produtora Rural Cíntia Dornelles

Sabe qual é o segredo de tanto sabor? Está atrás da porteira, nas casas das famílias que estão lá na roça, trabalhando duro para produzir nossa principal matéria prima, o leite. 

Hoje inauguramos o Nosso Segredo, dando destaque às histórias vividas pelos nossos produtores. Convidamos a Cíntia Santos Dornelles, 35 anos, Produtora Rural, para contar um pouco do que acontece nos bastidores da fazenda, onde tudo começa. Segue o fio! 

 

Entrevistador - Cíntia, me conta, quem são as pessoas que frequentam e moram aqui na fazenda no dia-a-dia?

 

Cíntia Dornelles - Eu, meu esposo Diego Dornelles, meus filhos Benício Dornelles, Bernardo Dornelles e Berilo Dornelles. Muitas das vezes meus pais também, que ficam uma temporada conosco, Carlos Roberto e Sineide, juntamente com meu avô materno, Dimas José, que mora com meus pais. Nossos familiares sempre nos visitam, e sempre é uma satisfação recebê-los. 

 

Entrevistador - Há quanto tempo vocês vivem na fazenda?

 

Cíntia Dornelles - Meu pai nasceu, cresceu, casou e viveu uma boa parte da vida aqui, a fazenda foi adquirida pelo pai do meu avô paterno, vivemos a sucessão. Eu e minha família a poucos dias completamos 07 anos vivendo aqui. 

 

Entrevistador - O que vocês produzem aqui na fazenda? 

 

Cíntia Dornelles - Produzimos leite!

 

Entrevistador - Poderia nos contar um pouquinho sobre as atividades que cada um de vocês ficam encarregados por aqui?

 

Cíntia Dornelles - Claro! Meu esposo fica encarregado de ordenhar as vacas, é responsável também por todos os outros serviços necessários da fazenda, como a inseminação, cuidados com as novilhas, limpeza de pasto e quintal, entre outros (muitas das vezes faz todo o trabalho sozinho, pois preciso me ausentar, ainda mais agora com as crianças iniciando a escolaridade). Já eu, cuido da higienização da sala de ordenha, sou responsável por amamentar as(o) bezerras(o), pelos cuidados dos demais animais, da casa e do jardim. Quando meus pais estão conosco, eles também nos auxiliam nas tarefas.

 

Entrevistador - Quais são as atividades favoritas aqui na fazenda?

 

Cíntia Dornelles - Na verdade temos uma rotina, então cada atividade tem sua devida importância, não temos uma favorita, depende muito da época do ano, chuva ou seca. Mas eu gosto de cuidar das minhas plantas. 

 

Entrevistador - Me conte um pouco de como é o dia-a-dia de vocês aqui.

 

Cíntia Dorneles - Extremamente corrido, pois o trabalho é todo nosso, mas o dia-a-dia depende de cada época do ano, cada uma com sua peculiaridade. Na época da chuva, há muito barro (os cuidados na ordenha se multiplicam) e muitas ervas daninhas, mas por outro lado, os pastos são vastos e ótimo para plantação. Já em época de seca, por pouca chuva, os pastos secam e os capins entram em estado de dormência, assim o cuidado aumenta, tendo de tratar o cocho, molhar as plantas e a horta. Há também muita poeira, principalmente na casa.

 

Entrevistador - Vocês sempre viveram aqui na fazenda?

 

Cíntia Dornelles - Eu nasci e cresci aqui, porém morei na cidade do Prata para estudar, dos meus 10 aos meus 17 anos, mas sempre indo e vindo. Voltei a morar aqui por um tempo, porém ficou muito difícil, por conta do meu pai que estava doente, então nós mudamos para a cidade. Depois de me formar em estética, fui morar e trabalhar em Uberlândia, e em 2012 conheci meu esposo, recém chegado de Londres de uma temporada de mais ou menos 07 anos por lá, bem em uma noite de natal, na sacada da minha casa. Brinco que foi o destino, presente do Papai Noel (sei que foi Deus), e até então sempre juntos, nos casamos em julho de 2014 e nos mudamos para fazenda em novembro do mesmo ano. 

 

Entrevistador - O que fez vocês tomarem a decisão de deixar a cidade e vir viver aqui na roça?

 

Cíntia Dornelles - Quando engravidei do Benício, nosso primeiro filho, pensar em criar uma criança em um apartamento me afligia, e meus pais ainda estavam com dificuldades em cuidar da fazenda, pois meu pai se encontrava novamente com um quadro depressivo e eu ajudava minha mãe mesmo distante, até que viemos passar alguns dias aqui, na nossa “lua de mel”, e surgiu a ideia de vir para fazenda, nada planejado, só viemos! Para mim foi voltar para casa tendo a oportunidade de oferecer uma infância semelhante à minha para os meus filhos, que foi simplesmente maravilhosa! Já para o meu esposo, um mundo completamente diferente, ele nunca havia entrado dentro de um curral, chegou aqui chamando bezerros de “vaca criança”, mas quando se quer de verdade, se aprende! Já tivemos muitos aprendizados, muitos mesmo, mas Diego abraçou esta causa, e não só a mim, mas surpreendeu a todos que vivenciou esta verdadeira transformação, me inspira e me dá força a cada dia com seu aprendizado e dedicação, trazendo excelência na atividade. 

 

Entrevistador - O que mantém vocês vivendo da fazenda? Quais são as motivações?

 

Cíntia Dornelles - O amor. Nossos filhos são nossos maiores motivos e nossas maiores inspirações.

 

Entrevistador - Conta um pouquinho de como é a história de vocês com a fazenda.

 

Cíntia Dornelles - Estamos construindo nossa história aqui, o nome da fazenda era “Santa Edwiges”, não o descartamos, porém vimos a necessidade de ter nossa a cara, nossa personalidade, e assim surgiu o “Aconchego da Serra”, nossa marca, vindo da nossa essência. 

 

Entrevistador - Quais são as criações que vocês têm por aqui? Como funciona a rotina de cuidados?

 

Cíntia Dornelles - Criamos vacas leiteiras, criamos as futuras matrizes, bezerros… as vacas são ordenhadas 2x ao dia, os bezerros são amamentados 2x ao dia também, dentre outros cuidados… os demais animais seguem a mesma rotina de tratamento, temos cachorros, gatos, porcos, frangos de granja, algumas galinhas caipiras e angolas.

 

Entrevistador - Vocês têm vizinhos próximos? Conta um pouquinho de como é a relação de vocês, se costumam se encontrar e o que costumam fazer.

 

Cíntia Dornelles - Sim, temos vizinhos, nossas relações são ótimas. Participamos da comunidade Bela Cruz, nos reunimos tanto para as reuniões da COOPRATA, como para os terços do mês que são realizados em cada casa, como também nas missas e todo dia 26 de cada mês na capela. 

 

Entrevistador - Na sua opinião, quais são as maiores diferenças entre as pessoas que moram na fazenda e as pessoas que moram na cidade?

 

Cíntia Dornelles - Prefiro não falar sobre pessoas, não sei relacionar as diferenças, pois cada um com seu cada qual, e tudo bem, né! Porém vejo assim: na fazenda há liberdade e tranquilidade, na cidade a facilidade e praticidade. Cada uma com sua particularidade e sua importância, e eu vejo que uma depende da outra, vejo que cada vez mais temos a consciência da tamanha importância do campo, não descartando a importância da cidade, mas o campo deve ser valorizado como realmente merece. 

 

Entrevistador - Geralmente as pessoas que vivem ou passam mais tempo na “roça” possuem muitas histórias para contar, sejam elas engraçadas, curiosas, emocionantes… quando te falo isso, quais são as histórias que lhe vêm à cabeça?

 

Cíntia Dornelles - Milhares, muitas contadas e muitas vividas, principalmente na época de criança, mas a mais bonita é a que estamos escrevendo, ver todos os nossos desafios vencidos, cada conquista, cada sonho imaginado e buscado, muitos realizados e outros frustrados, que nos trouxe grande aprendizado, pois sempre digo que nunca foi erro, já que fizemos com o coração genuíno. Muitas vezes os caminhos mudam as rotas e tomam outras direções, mas seguimos firmes e focados em nossos objetivos e sonhos, lembrando que somos mutáveis a todo instante, e isso é o mais belo e magnífico em viver, nunca estamos prontos, e sim em constante movimento e evolução. Este é o início do “Aconchego da Serra”, história da família Dornelles. Muito bom poder compartilhar com vocês um pouquinho de nós.

É satisfatório conhecer e entender um pouquinho de como é a vida dos nossos produtores, principalmente por reconhecer o esforço e amor que são depositadas no processo da produção, e que está por trás de cada leite na prateleira. Essa foi somente uma pequena parte da história de apenas uma família produtora, dentre as 930 existentes. Imagine quantas experiências já foram e estão sendo geradas nesse momento! Não somos apenas uma marca, fazemos parte de um legado carregado de gerações em gerações, fazendo parte da construção de memórias e vivências de pessoas, do início ao fim. É a nossa família produzindo para a sua!

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