Nosso Segredo pela Produtora Rural Fabiana Aparecida

Convidamos a Fabiana Aparecida, 52 anos, Pedagoga e Produtora Rural, residente da fazenda Sobradinho e Douradinho para contar um pouco do que acontece nos bastidores da fazenda, onde tudo começa. Segue o fio! 

Entrevistador - Nos conte algum acontecimento emocionante, curioso ou engraçado que aconteceu na fazenda. Fique à vontade para nos contar também sobre a sua história lá, quando se mudou, com que idade, o porquê de ter feito essa escolha e como é a vida na roça!

Fabiana - Eu sempre tive contato com a vida no campo, meus avós moravam na fazenda e nas férias ia visitá-los. Aos 17 anos me casei com Joaquim Aníbal e fomos morar na fazenda citada acima. Dois jovens iniciaram a família em frente à fazenda do meu sogro. Tivemos nossos filhos, Felipe e Valesca, enquanto morávamos na fazenda, e depois Joaquim Aníbal Filho morando no prata, pois ficamos um tempo afastados daqui, mas os meninos sempre tiveram amor pela vida no campo, apesar das dificuldades que ela apresentava. 

Viver no campo é muito bom, os filhos crescem dando mais valor às conquistas diárias, por estarem sempre ali na lida e em contato com a natureza. Engana-se quem pensa que a vida lá é fácil, que fazendeiro é rico. O trabalho que é para produzir cada litro de leite ou plantar uma lavoura. E quando chega a época dos filhos estudarem, meu Deus! Nesta época não tínhamos casa na cidade, então as crianças vinham de Van. Nosso mais velho, quantas vezes levantou, ajudou o pai no curral (ordenha manual), tomava o banho e pegava a Van para escola. Nossa menina, vinha pela manhã, estudava, trabalhava e voltava à tarde de ônibus com nosso caçula. Quantas vezes o ônibus quebrou, eu na estrada os esperando e nada de chegarem. Uma vez caiu um temporal e eu lá, sem saber que tinham voltado para a cidade por defeito no transporte. Hoje, com a modernidade é realizada a ordenha mecânica e o leite é transportado a cada dois dias, mas antes era leiteiro todos os dias. Um fato interessante e engraçado: não tínhamos carro e precisávamos vir para a cidade, então fizemos uso do leiteiro que passava. Também viemos fazer compras com uma carroça e a cavalo, passamos por um atalho e os cavalos atolaram num barranco, descemos e a porteira da fazenda estava trancada. Meu Deus, sorte que tinha gente trabalhando e abriram para passarmos. 

Depois de anos tirando leite no balde meu sogro concordou com a construção de uma instalação para realizar a ordenha mecânica, fomos para a modernidade. Nosso filho mais velho nesta época tinha conhecimento do seu funcionamento, pois ia para fazenda da tia, irmão de seu pai, cujo tio já fazia uso da tecnologia. Então foi mostrando como era. tínhamos um colaborador de anos, não se adequou a modernidade e nos deixou. Aí sim veio a peleja, não acertamos com funcionários. Depois de muito tentar daqui e dali, resolvemos tocar só a família mesmo, teve uma época que Joaquim e eu lidamos na ordenha só os dois durante 41 dias, de terça à sexta-feira. Felipe estudava na escola agrícola e vinha nos ajudar de sábado à segunda-feira. Eu, além do trabalho na ordenha, cuidava da casa sozinha. O tempo passou, hoje moro na cidade para fazer o que amo, que é dar aula, vou todo final de semana para a fazenda. Nossos filhos estão crescidos. O Felipe é Técnico Agrícola e trabalha com o pai. A Valesca, Zootecnista (formada pela FAZU e mestrado no Instituto de Zootecnia) está com o marido em uma fazenda, e nosso caçula se forma este ano em Psicologia. 

A vida no campo tem muito a fazer, mas estar ali, em contato direto com os animais, a natureza, poder contemplar o nascer, o pôr do sol, as noites de lua cheia ao som das galinhas da angola, as noites de chuvas sob a orquestra dos sapos, falariam muito mais, lá se vão 35 anos de casados e esta vida na roça... Apesar da peleja, só agradeço a Deus por ter criado ali meus filhos e hoje poder levar o nosso neto para vivenciar o amor a terra.

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