Nosso Segredo pela Produtora Rural Adélia Santos

Convidamos a Adélia Maria dos Santos Borges, 49 anos, produtora rural do Sítio Gameleira, para contar um pouco sobre como tudo começou, sobre sua história e a vida no campo. Acompanhe! 

 

Entrevistador: Nos conte algum acontecimento emocionante, curioso ou engraçado que aconteceu na fazenda. Fique à vontade para nos contar também sobre a sua história lá, quando se mudou, com que idade, o porquê de ter feito essa escolha e como é a vida na roça! 

 

Adélia Maria: Atualmente eu moro com meu esposo na fazenda, a gente sempre morou aqui, e foi onde criei meu casal de filhos, a Ariane e o Felipe, que não moram mais com a gente. Pensei que iriam seguir vivendo na fazenda, mas acabaram escolhendo outros caminhos.

Quando eu era solteira, morava em outra propriedade com meus pais e irmãos. Antigamente, as escolas eram na área rural, e eu fui a única que tive a oportunidade de ir para a cidade estudar um pouco mais. Na cidade, eu morava com minha avó, depois de um tempo voltei para fazenda e conheci meu esposo, namoramos e logo nos casamos. Quando chegamos, moramos durante dois anos em uma casa de funcionários que na época era do meu cunhado, perto da área onde moramos hoje. Depois disso começamos a construir nosso cantinho, que foi muito difícil, e para isso, precisamos vender o gado. Lá a gente colocou energia elétrica, construímos a casa, o curral, e começamos a produzir o leite. A produção de leite na época não estava sendo suficiente, então meu marido acabava pegando trabalhos por fora. 

Em 1995 tivemos nossa primeira filha, e em 1998 nasceu nosso segundo. Passamos muita dificuldade, e sempre incentivei os estudos deles, que iam de van todos os dias para a escola. Ariane com 16 anos foi morar em Uberlândia, dando continuidade nos estudos, e se formando na área de tecnologia. Felipe foi mais difícil na escola, mas depois entendeu a necessidade dos estudos, e foi morar com a irmã, lá chegou a fazer três cursos, e hoje trabalha na área de automação.

Na fazenda sempre trabalhei como dona de casa, cuidando dos filhos e do marido, que sempre foi muito trabalhador. Na fazenda o trabalho é muito difícil, e mesmo cuidando da casa, tentei ajudar meu marido na parte administrativa, e seguimos assim até hoje. 

Aqui eu gosto muito de plantar, amo minhas plantas, amo cuidar dos animais, e principalmente, o nascimento dos bezerros, que talvez seja o fato mais marcante para mim. 

Depois que nossos filhos foram para a cidade, tivemos mais tempo para pensar mais na fazenda, com calma, tanto para a nossa, quanto para o cantinho que meu pai havia deixado para nós. Começamos a comprar algumas vacas e depois de um tempo compramos um boi para dar início aos bezerros nessa outra propriedade, de onde vem uma parte do sustento. A fazenda não dá férias, há muitos animais para cuidar, então decidimos contratar um ajudante, o que foi uma decisão difícil de ser tomada, pois lidar com pessoas não é fácil. Mas tudo deu certo no final. 

Aqui é importante para mim porque vivi minha vida toda na fazenda, sempre gostei do verde, do canto dos pássaros, da tranquilidade e do espaço que ela proporciona. Aqui é nosso modo de sobrevivência, é da terra que tiramos nosso sustento. 

Às vezes eu falo que a fazenda deveria se chamar “fazendo”, porque sempre tem alguma coisa para fazer, é um desafio, mas não tem preço que pague a vida aqui.

 

Hoje conhecemos mais uma família produtora, seus vínculos e histórias. É incrível como a maioria das famílias relatam que apesar das dificuldades da vida no campo, o que a fazenda proporciona faz valer a pena. 

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